(Português) O norte final, parte 3: Puerto Chicama

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O pacto conjugal estava assinado, o compromisso tomado: acabámos de passar sete dias maravilhosos a dar a volta ao Alpamayo, vamos então agora surfar a mais longa onda esquerda do mundo em Puerto Chicama!
Uma vez na zona de Huaraz, Trujillo – cidade principal do norte do Perú de uma milhão de habitantes e próxima de Chicama – estava efectivamente a menos de 10h de autocarro, o que é o mesmo que dizer na porta ao lado!

Trujillo - jaune colonial
Trujillo – amarelo colonial.
Trujillo - religion colonial
Trujillo – religião colonial.
Trujillo - rouge (et hotel) colonial
Trujillo – vermelho (e hotel) colonial.
Trujillo - bleu colonial
Trujillo – azul colonial.

 

Aproveitamos a nossa escala na cidade para visitar templos milenares incríveis, ainda bem conservados, apesar dos seus 1000 anos de idade. Os católicos ou mesmo os Incas, escolhiam as suas pedras com aquela necessidade louca de fazer perdurar no tempo edifícios mais ou menos imponentes. Aqui, na Huaca del Sol (civilização Moche, dizer [motché], pré-Inca), o templo, feito de milhões de tijolos de terra e ornamentado por pinturas feitas de pigmentos naturais que representam cenas de sacrifícios humanos, foi “simplesmente” coberto por uma nova versão de cada vez que houve alguma mudança importante na sociedade dos dirigentes. Com uma regularidade de cerca de um século, os frescos fantásticos eram cobertos de areia (por questões de conservação?) e novas construções eram empilhadas por cima. Para qualquer arqueólogo, descascar uma espécie de cebola gigante feita de milhões de tijolos de terra e descobrir os frescos cuidadosamente protegidos dez séculos antes, deve ser um sonho, um caso de estudo clássico, mas bem real!

Huaca del Sol. En bas, peinture protégée par du sable et de la terre. En haut peinture usée par le temps.
Huaca del Sol. Em baixo, pintura protegida por areia e terra. Em cima, pintura gasta pelo tempo.
Le dieu, la mer, le serpent, le condor...
Um deus, o mar, a serpente, o condor…

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Le temple-oignon
O templo-cebola.
La couche externe du temple-oignon
A camada externa do templo-cebola.

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Do outro lado de Trujillo, a norte, o templo de Chan Chan, posterior à Huaca del Sol, é igualmente feito de terra, mas num estilo diferente. A terra é mais trabalhada e as pinturas coloridas de sacrifícios são substituídas por gravuras (directamente na matéria) de cenas esquemáticas que sugerem que esta civilização Chimú tinha um domínio das ciências naturais bastante avançado: conheciam, por exemplo, a existência dos fenómenos associados à corrente de Humbolt e ao El Niño costeiro.

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Totora spider
Totora spider.
Bancs de la haie d'honneur à Tchan-Tchan
Bancos para a nobreza admirar o líder passar.
Tchan-Tchan
Tchan-Tchan.
Représentation des courants marin de Humbolt et associés à El Nino
Representação da corrente marinha de Humbolt e das correntes associadas ao El Niño.
Tchan-Tchan
Complexo de Chan Chan, em pura terra – civilização Chimú.
Tchan-Tchan
Chan-Chan.
Tchan-Tchan
Chan-Chan.
Tchan-Tchan
Chan-Chan.
Complexo Chan Chan, puro adobe - civilização Chimú.
Chan Chan – civilização Chimú.

 

Tendo respeitado a quota de visitas histórico-culturais (um dia por mês): azimute apontado ao spot mítico de Chicama!

Antes de tudo, o sítio mundialmente conhecido dos surfistas é uma pequena aldeia de pescadores rodeada de deserto e campos de cana de açúcar. Passaremos uma dezena de dias como únicos ocupantes do último andar da pensão mais bem localizada de Chicama (El Hombre!) – por outras palavras, tínhamos um apartamento privado com cozinha e varanda panorâmica sobre a praia, aberta aos pôres-de-sol e às ondas perfeitas e infinitas.

Preparando o jantar ao pôr-do-sol.
Preparando o jantar ao pôr-do-sol.
Vista do nosso modesto alojamento em Puerto Chicama.
Vista do nosso modesto alojamento em Puerto Chicama.

 

O spot principal, “El Point”, resume-se a uma aproximação de 15 min a pé pela praia, uma entrada pelos calhaus mais ou menos cortantes sobre os quais rebentam as ondas que nos desequilibram, uma remada infernal que se assemelha mais a uma marcha-atrás de alguém que se debate na água para atravessar a corrente – ou a torrente – transversal, uma remada infernal-bis para tentar ridiculamente ficar na zona do pico e por fim, assim que a onda chega (e que ninguém se apropria dela antes), a última remada (que apenas agora deve ser a mais forte) para apanhar a onda… deixemos de lado a sensação agradável de falhar a onda (cair miseravelmente e beber um pouco de água salgada) e dever repetir todo o processo, caminhada de aproximação incluída, para tentar a sua sorte uma vez mais – tal poderia ser o resumo das duas primeiras sessões do Seb. Ah! Quase me esquecia dos maravilhosos barcos!! Esses barcos que avançam contra a corrente para deixar no pico, bem frescos e sem esforço algum, os surfistas mais ricos e menos dignos. Apesar de tudo, a Mariana pôde, desde o primeiro dia, honrar o spot aproveitando tudo o que havia de aproveitável. Imaginem a onda esquerda mais longa do mundo a acolher uma goofyfoot portuguesa (em Portugal há principalmente direitas…), vale mais dizer que se sentia uma certa sintonia! A Mariana teve rapidamente dor nas pernas devido às ondas tão compridas… o Seb teve instantaneamente dores nos braços devido a uma luta sem paralelo contra esta corrente e para se tentar posicionar com falta de jeito no bom sítio. Os primeiros dias foram de longe os mais cansativos e frustrantes, mas quer a gente queira quer não, acabei por me adaptar e compreender um pouco melhor o spot. A corrente deixou de ser uma torrente a atravessar, organizámo-nos para não estar na água ao mesmo tempo que os barcos depositadores-de-surfistas-indignos e as ondas acabaram por me aceitar e mostraram-se mesmo apetecíveis tornando-se, pelo menos para mim, nas mais longas do meu mundo.

Huaca del brujo
Huaca del brujo – pausa histórico-cultural para descansar um pouco os ombros.

Huaca del brujo

Huaca del brujo

Huaca del brujo

Huaca del brujo

Huaca del Brujo.

Garças de praia.
Garças de praia.
A população de caranguejos da praia de Puerto Chicama.
A população de caranguejos das praias de Puerto Chicama.
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Mariana, já mais desenferrujada, ao nascer do dia.

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Seb que, por milagre, parece um verdadeiro surfista neste preciso segundo (o fotógrafo era verdadeiramente excelente).

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Aproveitamos o nosso caminho de regresso a La Paz para visitar Lima, o seu centro – colonial – com o seu museu de gastronomia peruana (como assim, só pensamos em comida…?), a sua beira-mar cheia de surfistas da cidade, os seus numerosos parapentistas na espera desesperada de alguns km/h de brisa para brincarem em dinâmico (em vão), o seu parque original de jogos de água…

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Plaza de armas de Lima.
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Beira-mar de Lima. Surf, muito. Parapente, hoje não.

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