Warning: "continue" targeting switch is equivalent to "break". Did you mean to use "continue 2"? in /homepages/12/d534966702/htdocs/cycle2serendipity/wp-content/plugins/qtranslate-x/qtranslate_frontend.php on line 497

Warning: Creating default object from empty value in /homepages/12/d534966702/htdocs/cycle2serendipity/wp-content/themes/virtue/themeoptions/inc/class.redux_filesystem.php on line 29

Warning: count(): Parameter must be an array or an object that implements Countable in /homepages/12/d534966702/htdocs/cycle2serendipity/wp-content/plugins/virtue-toolkit/cmb/init.php on line 746

Warning: count(): Parameter must be an array or an object that implements Countable in /homepages/12/d534966702/htdocs/cycle2serendipity/wp-content/plugins/virtue-toolkit/cmb/init.php on line 746

Warning: count(): Parameter must be an array or an object that implements Countable in /homepages/12/d534966702/htdocs/cycle2serendipity/wp-content/plugins/virtue-toolkit/cmb/init.php on line 746

Warning: count(): Parameter must be an array or an object that implements Countable in /homepages/12/d534966702/htdocs/cycle2serendipity/wp-content/plugins/virtue-toolkit/cmb/init.php on line 746

Warning: count(): Parameter must be an array or an object that implements Countable in /homepages/12/d534966702/htdocs/cycle2serendipity/wp-content/plugins/virtue-toolkit/cmb/init.php on line 746

Warning: count(): Parameter must be an array or an object that implements Countable in /homepages/12/d534966702/htdocs/cycle2serendipity/wp-content/plugins/virtue-toolkit/cmb/init.php on line 746

Warning: count(): Parameter must be an array or an object that implements Countable in /homepages/12/d534966702/htdocs/cycle2serendipity/wp-content/plugins/virtue-toolkit/cmb/init.php on line 746

Warning: count(): Parameter must be an array or an object that implements Countable in /homepages/12/d534966702/htdocs/cycle2serendipity/wp-content/plugins/virtue-toolkit/cmb/init.php on line 746

Warning: count(): Parameter must be an array or an object that implements Countable in /homepages/12/d534966702/htdocs/cycle2serendipity/wp-content/plugins/virtue-toolkit/cmb/init.php on line 746

Warning: count(): Parameter must be an array or an object that implements Countable in /homepages/12/d534966702/htdocs/cycle2serendipity/wp-content/plugins/virtue-toolkit/cmb/init.php on line 746

Warning: Cannot modify header information - headers already sent by (output started at /homepages/12/d534966702/htdocs/cycle2serendipity/wp-content/plugins/qtranslate-x/qtranslate_frontend.php:497) in /homepages/12/d534966702/htdocs/cycle2serendipity/wp-includes/feed-rss2.php on line 8
cycle2serendipity http://www.cycle2serendipity.com/es A site about a tandem travel through South America. Fri, 18 Dec 2020 20:05:59 +0000 es-ES hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.6.20 (Português) El fin. http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/08/07/el-fin/ http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/08/07/el-fin/#respond Mon, 07 Aug 2017 15:38:33 +0000 http://www.cycle2serendipity.com/?p=1619 Continuar]]> Disculpa, pero esta entrada está disponible sólo en Portugués De Portugal. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. You may click the link to switch the active language.

La Paz acabou por se tornar na nossa cidade-mãe de fim de viagem. Pouco a pouco fizemos da casa da Isa a nossa, habituámo-nos ao ar seco e frio e à altitude, temos já 95% de saturação de oxigénio no sangue a 4000 m e a Tunupa e o Zavicha ladram felizes quando nos vêem.
Como qualquer Paceño que se preze, também nós desenvolvemos uma relação de amor-ódio com a cidade de La Paz, essa babel caótica que se despenha do Altiplano em direcção aos Yungas. Porque há muito para odiar e outro tanto para amar.
Enquanto Europeus, o ruído e o tráfego de La Paz são por vezes de pôr os cabelos em pé. A falta de ordem, a sujidade, a pobreza dos bairros mais altos e a desigualdade, chocam com o nosso conceito de cidade desenvolvida. Por outro lado, a diversidade cultural e social, que raramente tem espaço para existir num mesmo lugar geográfico de forma tão marcada, coexiste livremente nesta cidade. O homem de negócios sério e apressado, que poderia ser avistado em qualquer rua de uma capital europeia, atravessa a estrada ao lado de uma cholita, mulher vestida segundo a tradição Aymara, que poderia vir de uma qualquer aldeia perdida num canto recôndito da Bolívia; e ambos são quase atropelados por um autocarro do tempo da segunda guerra mundial com «Dios es mi salvador» escrito no tablier, que buzina ferozmente e se esquiva habilmente de um BMW Z3, para deixar passar o homem vestido de zebra que trabalha na sensibilização dos automobilistas aos direitos dos peões. Este lado vibrante, louco mesmo, e constantemente em movimento desta cidade desesperante tem, surpreendentemente, algo de cativante. As gentes que cozinham e comem na rua, os mercados que pululam por todo o lado, os cães, as crianças, as praças e mesmo o próprio caos generalizado, conferem à cidade uma atmosfera alegre e dinâmica. Subindo a um dos vários miradouros da cidade (a pé pelos bairros de lata ou no teleférico ultra-moderno), damos de caras com as montanhas nevadas da Cordillera Real, encabeçadas pelo Ilimani, que guardam La Paz do alto do céu azul do Inverno seco e frio do Altiplano.

Descendo do El Alto a la Paz.

Descendo do El Alto a la Paz.

A feira do El Alto, vista do teleférico.

A feira do El Alto, vista do teleférico.

Dia de Feira.

Dia de Feira.

 

Dia habitual de trânsito em El Alto.

Dia habitual de trânsito em El Alto.

 

Chegados do Perú, passamos uns dias em La Paz e logo seguimos para Peñas. Peñas é uma pequena aldeia rural em frente à Cordillera Real onde um turista aleatório nunca pensaria em passar. Perdida no campo, com uma vista magnífica sobre a Cordillera, a única coisa digna de nota que alguma vez ali se passou foi o esquartejamento de um líder indígena pelos espanhóis durante a invasão. No entanto, é neste pequeno canto do mundo que o padre italiano António Zavatarelli desenvolve vários projectos de ajuda à população e aos jovens locais. Passámos então duas semanas na excelente companhia de várias pessoas absolutamente improváveis, num óptimo ambiente de camaradagem, dando uma mãozinha à direita e à esquerda, onde foi preciso. Desde a instalação de duches na nova escola, a jardinagem, reparação de caldeiras, pintura de letras Aymara em frisos de capelas e aulas de meteorologia de montanha, fizemos um pouco de tudo. Assistimos à inauguração da tal capela, um verdadeiro circo cultural, escalámos e coroámos a visita com a subida (do Seb, do Padre e do Romain) e a mirada (minha e da Ana), da famosa cabeça do Condoriri, para termos a certeza que encerrávamos em beleza este nosso périplo sul-americano.

A praça de Peñas e a igreja ao fundo.

A praça de Peñas e a igreja ao fundo.

Monumento indígena na praça de Peñas. "Volvere y sere millones", disse o líder indígena Tupac Katari, quando foi esquartejado por volta de 1781 nesta praça pelos invasores espanhóis.

Monumento indígena na praça de Peñas. «Volvere y sere millones», disse o líder indígena Tupac Katari, quando foi esquartejado por volta de 1781 nesta praça pelos invasores espanhóis.

A entrada na casa de Peñas.

A entrada na casa de Peñas.

A igreja colonial de Peñas.

A igreja colonial de Peñas.

O pátio interior da casa de Peñas.

O pátio interior da casa de Peñas.

A nova escola de Turismo rural menção aventura de Peñas, ainda em construção.

A nova escola de Turismo rural menção aventura de Peñas, ainda em construção.

Missa dos 20 anos de sacerdócio do Padre António na Igreja de Peñas.

Missa dos 20 anos de sacerdócio do Padre António na Igreja de Peñas.

Os campos de Santiago de Huata (perto de Peñas) e o Lago Titicaca.

Os campos de Santiago de Huata (perto de Peñas) e o Lago Titicaca.

Campos à beira do Titicaca.

Campos à beira do Titicaca.

Rua em Santiago de Huata.

Rua em Santiago de Huata.

 

Pôr-de-sol no Titicaca.

Pôr-de-sol no Titicaca.

A capela e a Cordilheira Real.

A capela e a Cordilheira Real.

A capela, a Mariana, o Romain e o pintor Edwin.

A capela, a Mariana, o Romain e o pintor Edwin.

A "capela sistina" do Altiplano, o seu pintor Edwin e a Mariana.

A «capela sistina» do Altiplano, o seu pintor Edwin e a Mariana.

Terminando de colocar os stencils para a palavras a pintar no friso. "Wawanakasaru Uñjam" - Cuida os nossos filhos.

Terminando de colocar os stencils para a palavras a pintar no friso. «Wawanakasaru Uñjam» – Cuida os nossos filhos.

As duas pintoras amadoras: Ana e Mariana.

As duas pintoras amadoras: Ana e Mariana.

Contente, nas pinturas... Faltam ali preencher o pedacito do "P"!

Contente, nas pinturas… Faltam ali preencher o pedacito do «P»!

Pintora amadora.

Pintora amadora.

Os retoques do friso da capela...

Os retoques do friso da capela…

O interior da capela (quase) terminado.

O interior da capela (quase) terminado.

Ainda falta trabalho...

Ainda falta trabalho…

Fins de tarde bonitos...

Fins de tarde bonitos…

A Cordilheira ao entardecer...

A Cordilheira ao entardecer…

O início do caminho de acesso à capela a ser terminado mesmo antes da inauguração.

O início do caminho de acesso à capela a ser terminado mesmo antes da inauguração.

O Padre António e o pórtico Ayamara.

O Padre António e o pórtico Ayamara.

O Padre António a caminho da inauguração da capela.

O Padre António a caminho da inauguração da capela.

O pórtico, o padre e as gentes.

O pórtico, o padre e as gentes.

A capela, semi-pintada de fresco.

A capela, semi-pintada de fresco.

A preparação da missa de inauguração.

A preparação da missa de inauguração.

O pórtico Ayamara visto da porta da capela.

O pórtico Ayamara visto da porta da capela.

Meninas Aymara.

Meninas Aymara.

Mulheres Aymara, os campos e a cordilheira.

Mulheres Aymara, os campos e a cordilheira.

As autoridades locais e o catequista mais antigo de Peñas.

As autoridades locais e o catequista mais antigo de Peñas.

A missa lá começou...

A missa lá começou…

A partilha da folha de Coca, no início da missa.

A partilha da folha de Coca, no início da missa.

O Rosemer, jovem peruano ao serviço em Peñas, que lê uma passagem da Bíblia.

O Rosemer, jovem peruano ao serviço em Peñas, que lê uma passagem da Bíblia.

Um líder Ayamara faz o seu discurso (incompreensível para nós) durante a inauguração da capela.

Um líder Ayamara faz o seu discurso (incompreensível para nós) durante a inauguração da capela.

O Padre António.

O Padre António.

O cálice de vinho e as hóstias.

O cálice de vinho e as hóstias.

A população visita o interior da capela pela primeira vez.

A população visita o interior da capela pela primeira vez.

O original e seu retrato, com a mão levantada, pintado por trás.

O original e seu retrato, com a mão levantada, pintado por trás.

O pintor Edwin a dar uma entrevista sobre a sua obra.

O pintor Edwin a dar uma entrevista sobre a sua obra.

Depois da missa, o banquete. Batatas e chuño e okas, e batatas e batatas e batatas...

Depois da missa, o banquete. Batatas e chuño e okas, e batatas e batatas e batatas…

Rostos tisnados.

Rostos tisnados.

"Mochilas" de cholita.

«Mochilas» de cholita.

A dança Aymara de celebração. Obrigatório participar.

A dança Aymara de celebração. Obrigatório participar.

Depois da missa, a descida para o baptismo automóvel.

Depois da missa, a descida para o baptismo automóvel.

A caminho do campo base do Condoriri. Mariana, Laura, Titiano, Ana, Padre António e Romain.

A caminho do campo base do Condoriri. Mariana, Laura, Titiano, Ana, Padre António e Romain.

Ainda a caminho...

Ainda a caminho…

Picos imponentes...

Picos imponentes…

Ao nascer do dia, o Seb, o Romain e o Padre António estão a caminho do cume da cabeça do Condoriri.

Ao nascer do dia, o Seb, o Romain e o Padre António estão a caminho do cume da cabeça do Condoriri.

Luz do amanhecer.

Luz do amanhecer.

O Romain a chegar à crista final.

O Romain a chegar à crista final.

O padre sobre a crista, e o Altiplano ao fundo.

O padre sobre a crista, e o Altiplano ao fundo.

Romain na crista.

Romain na crista.

Um padre alpinista.

Um padre alpinista.

A secura dos mais de 4000 m.

A secura dos mais de 4000 m.

No cume, os três contentes.

No cume, os três contentes.

Vista do cume.

Vista do cume.

Paredes de neve e gelo.

Paredes de neve e gelo.

No regresso, o Romain sobre o glaciar.

No regresso, o Romain sobre o glaciar.

O cume a ficar para trás...

O cume a ficar para trás…

... e a chegada em beleza!

… e a chegada em beleza!

Cara de um velho hippie gravado pelo gelo e pela neve.

Cara de um velho hippie gravado pelo gelo e pela neve.

Mais uma alpaca peluda!

Mais uma alpaca peluda!

Um pompom ambulante...

Um pompom ambulante…

No regresso, a nossa boleia... Titiano sobre o tecto do jipe e o Condoriri reflectido no lago.

No regresso, a nossa boleia… Titiano sobre o tecto do jipe e o Condoriri reflectido no lago.

 

É sempre reconfortante conhecer-se um lugar como Peñas. Reconfortante, porque nos garante (se ainda houvessem dúvidas no final desta viagem…) que vale a pena continuar a ter fé na humanidade, que há pessoas que vivem a sua vida ao serviço dos outros. Reconfortante, porque agora sei que há pelo menos um lugar no mundo para onde posso fugir se um dia quiser fugir deste mundo.

El Alto e a Cordilheira, vistos do avião.

El Alto e a Cordilheira, vistos do avião.

Adeus Ilimani, até ao nosso regresso...!

Adeus Ilimani, até ao nosso regresso…!

 

Poucos dias depois de Peñas, dou por mim à janela de um TGV em direcção ao norte de França, a caminho de um casamento. A viagem de avião foi longa, mais de 24 h, mas não longa o suficiente para cobrir a distância que separa o lá do cá. Estávamos a anos-luz da nossa Europa organizada, imaculada, standardizada. E agora, poucos dias mais tarde, atravessamos campos verdes a perder de vista a mais de 300 km/h.
Sempre disse que o difícil não era partir, como todos fazem crer. O que custa é chegar. Chegar demora mais do que 24 h de avião. Se calhar a alma vem de barco porque tem medo das alturas. Há de andar, então, perdida no meio do Atlântico umas semanas mais. E há de chegar a Portugal, quando der à costa, vinda lá do longe, pois chocará com o país mais ocidental da Europa, e daí tentará encontrar-me.

 
Esteja onde estiver, há de encontrar-nos rodeados de família e amigos: afinal de contas, foi por isso que voltámos.

 

 

«Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu..»

(Fernando Pessoa)

 

Isa, Tunupa, Zavicha – Padre António – Padre Leo – Ana – Rosmer, Askid, Leo, Wilmer

]]>
http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/08/07/el-fin/feed/ 0
(Português) O norte final, parte 3: Puerto Chicama http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/07/30/o-norte-final-parte-3/ http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/07/30/o-norte-final-parte-3/#respond Sun, 30 Jul 2017 20:33:48 +0000 http://www.cycle2serendipity.com/?p=1617 Continuar]]> Disculpa, pero esta entrada está disponible sólo en Portugués De Portugal y Francés. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in one of the available alternative languages. You may click one of the links to switch the site language to another available language.

O pacto conjugal estava assinado, o compromisso tomado: acabámos de passar sete dias maravilhosos a dar a volta ao Alpamayo, vamos então agora surfar a mais longa onda esquerda do mundo em Puerto Chicama!
Uma vez na zona de Huaraz, Trujillo – cidade principal do norte do Perú de uma milhão de habitantes e próxima de Chicama – estava efectivamente a menos de 10h de autocarro, o que é o mesmo que dizer na porta ao lado!

Trujillo - jaune colonial

Trujillo – amarelo colonial.

Trujillo - religion colonial

Trujillo – religião colonial.

Trujillo - rouge (et hotel) colonial

Trujillo – vermelho (e hotel) colonial.

Trujillo - bleu colonial

Trujillo – azul colonial.

 

Aproveitamos a nossa escala na cidade para visitar templos milenares incríveis, ainda bem conservados, apesar dos seus 1000 anos de idade. Os católicos ou mesmo os Incas, escolhiam as suas pedras com aquela necessidade louca de fazer perdurar no tempo edifícios mais ou menos imponentes. Aqui, na Huaca del Sol (civilização Moche, dizer [motché], pré-Inca), o templo, feito de milhões de tijolos de terra e ornamentado por pinturas feitas de pigmentos naturais que representam cenas de sacrifícios humanos, foi «simplesmente» coberto por uma nova versão de cada vez que houve alguma mudança importante na sociedade dos dirigentes. Com uma regularidade de cerca de um século, os frescos fantásticos eram cobertos de areia (por questões de conservação?) e novas construções eram empilhadas por cima. Para qualquer arqueólogo, descascar uma espécie de cebola gigante feita de milhões de tijolos de terra e descobrir os frescos cuidadosamente protegidos dez séculos antes, deve ser um sonho, um caso de estudo clássico, mas bem real!

Huaca del Sol. En bas, peinture protégée par du sable et de la terre. En haut peinture usée par le temps.

Huaca del Sol. Em baixo, pintura protegida por areia e terra. Em cima, pintura gasta pelo tempo.

Le dieu, la mer, le serpent, le condor...

Um deus, o mar, a serpente, o condor…

image

Le temple-oignon

O templo-cebola.

La couche externe du temple-oignon

A camada externa do templo-cebola.

image

image

Do outro lado de Trujillo, a norte, o templo de Chan Chan, posterior à Huaca del Sol, é igualmente feito de terra, mas num estilo diferente. A terra é mais trabalhada e as pinturas coloridas de sacrifícios são substituídas por gravuras (directamente na matéria) de cenas esquemáticas que sugerem que esta civilização Chimú tinha um domínio das ciências naturais bastante avançado: conheciam, por exemplo, a existência dos fenómenos associados à corrente de Humbolt e ao El Niño costeiro.

image

Totora spider

Totora spider.

Bancs de la haie d'honneur à Tchan-Tchan

Bancos para a nobreza admirar o líder passar.

Tchan-Tchan

Tchan-Tchan.

Représentation des courants marin de Humbolt et associés à El Nino

Representação da corrente marinha de Humbolt e das correntes associadas ao El Niño.

Tchan-Tchan

Complexo de Chan Chan, em pura terra – civilização Chimú.

Tchan-Tchan

Chan-Chan.

Tchan-Tchan

Chan-Chan.

Tchan-Tchan

Chan-Chan.

Complexo Chan Chan, puro adobe - civilização Chimú.

Chan Chan – civilização Chimú.

 

Tendo respeitado a quota de visitas histórico-culturais (um dia por mês): azimute apontado ao spot mítico de Chicama!

Antes de tudo, o sítio mundialmente conhecido dos surfistas é uma pequena aldeia de pescadores rodeada de deserto e campos de cana de açúcar. Passaremos uma dezena de dias como únicos ocupantes do último andar da pensão mais bem localizada de Chicama (El Hombre!) – por outras palavras, tínhamos um apartamento privado com cozinha e varanda panorâmica sobre a praia, aberta aos pôres-de-sol e às ondas perfeitas e infinitas.

Preparando o jantar ao pôr-do-sol.

Preparando o jantar ao pôr-do-sol.

Vista do nosso modesto alojamento em Puerto Chicama.

Vista do nosso modesto alojamento em Puerto Chicama.

 

O spot principal, «El Point», resume-se a uma aproximação de 15 min a pé pela praia, uma entrada pelos calhaus mais ou menos cortantes sobre os quais rebentam as ondas que nos desequilibram, uma remada infernal que se assemelha mais a uma marcha-atrás de alguém que se debate na água para atravessar a corrente – ou a torrente – transversal, uma remada infernal-bis para tentar ridiculamente ficar na zona do pico e por fim, assim que a onda chega (e que ninguém se apropria dela antes), a última remada (que apenas agora deve ser a mais forte) para apanhar a onda… deixemos de lado a sensação agradável de falhar a onda (cair miseravelmente e beber um pouco de água salgada) e dever repetir todo o processo, caminhada de aproximação incluída, para tentar a sua sorte uma vez mais – tal poderia ser o resumo das duas primeiras sessões do Seb. Ah! Quase me esquecia dos maravilhosos barcos!! Esses barcos que avançam contra a corrente para deixar no pico, bem frescos e sem esforço algum, os surfistas mais ricos e menos dignos. Apesar de tudo, a Mariana pôde, desde o primeiro dia, honrar o spot aproveitando tudo o que havia de aproveitável. Imaginem a onda esquerda mais longa do mundo a acolher uma goofyfoot portuguesa (em Portugal há principalmente direitas…), vale mais dizer que se sentia uma certa sintonia! A Mariana teve rapidamente dor nas pernas devido às ondas tão compridas… o Seb teve instantaneamente dores nos braços devido a uma luta sem paralelo contra esta corrente e para se tentar posicionar com falta de jeito no bom sítio. Os primeiros dias foram de longe os mais cansativos e frustrantes, mas quer a gente queira quer não, acabei por me adaptar e compreender um pouco melhor o spot. A corrente deixou de ser uma torrente a atravessar, organizámo-nos para não estar na água ao mesmo tempo que os barcos depositadores-de-surfistas-indignos e as ondas acabaram por me aceitar e mostraram-se mesmo apetecíveis tornando-se, pelo menos para mim, nas mais longas do meu mundo.

Huaca del brujo

Huaca del brujo – pausa histórico-cultural para descansar um pouco os ombros.

Huaca del brujo

Huaca del brujo

Huaca del brujo

Huaca del brujo

Huaca del Brujo.

Garças de praia.

Garças de praia.

A população de caranguejos da praia de Puerto Chicama.

A população de caranguejos das praias de Puerto Chicama.

DSC_0046

Mariana, já mais desenferrujada, ao nascer do dia.

DSC_0042

 

DSC_0063

Seb que, por milagre, parece um verdadeiro surfista neste preciso segundo (o fotógrafo era verdadeiramente excelente).

DSC_0148

DSC_0198

Aproveitamos o nosso caminho de regresso a La Paz para visitar Lima, o seu centro – colonial – com o seu museu de gastronomia peruana (como assim, só pensamos em comida…?), a sua beira-mar cheia de surfistas da cidade, os seus numerosos parapentistas na espera desesperada de alguns km/h de brisa para brincarem em dinâmico (em vão), o seu parque original de jogos de água…

20170731230147

Plaza de armas de Lima.

20170731230149

Beira-mar de Lima. Surf, muito. Parapente, hoje não.

20170731230151

20170731230153

20170731230159

20170731230202

]]>
http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/07/30/o-norte-final-parte-3/feed/ 0
(Português) O norte final – Parte 2 http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/07/10/o-norte-final-parte-2/ http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/07/10/o-norte-final-parte-2/#respond Mon, 10 Jul 2017 14:27:00 +0000 http://www.cycle2serendipity.com/?p=1526 Continuar]]> Disculpa, pero esta entrada está disponible sólo en Portugués De Portugal y Francés. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in one of the available alternative languages. You may click one of the links to switch the site language to another available language.

O segundo capítulo do Peru começa outra vez, como não podia deixar de ser, por umas belas nove horas de autocarro de Lima a Huaraz, a cidade peruana da montanha por excelência. Plantada à beira da Cordillera Blanca, protegida pela Cordillera Negra, é a cidade base para um sem número de treks magníficos numa das provavelmente mais belas zonas montanhosas do mundo.
Com o nosso tempo bem contado, decidimos partir para o trek da volta do Alpamayo, de cerca de 7 dias, muitíssimo menos frequentado que os treks clássicos mais curtos e muito mais bonito também.
Os dias seguintes passaram-se tranquilamente num desfile de paisagens de cortar a respiração: cumes impossivelmente nevados de tão verticais, vales variados e magníficos a cada passo, subidas ofegantes a quase 5000 m, encontros simpáticos com famílias de pastores perdidos no tempo e, para grande felicidade do Seb, avistamentos diários de cada cara do Alpamayo.

Hualcayan a ficar para trás...

Hualcayan a ficar para trás…

As flores e a queñua.

As flores e a queñua.

Acampamento da primeira noite.

Acampamento da primeira noite.

Ao lado do acampamento.

Ao lado do acampamento.

Luz e sombra.

Luz e sombra.

Pôr-de-sol feérico.

Pôr-de-sol feérico.

A chuva ao longe era rosa.

A chuva ao longe era rosa.

Lago glaciar.

Lago glaciar.

Primeiro passo.

Primeiro passo.

Olha, olha! O Alpamayo lá ao fundo!

Olha, olha! O Alpamayo lá ao fundo!

Travessias de ribeiros.

Travessias de ribeiros.

Serpenteando.

Serpenteando.

O Alpamayo nas nuvens.

O Alpamayo nas nuvens.

Pardal da tasmânia.

Pardal da tasmânia.

O arco-íris.

O arco-íris.

Mais um pôr-de-sol fantástico.

Mais um pôr-de-sol fantástico.

Picos nevados.

Picos nevados.

Adeus Alpamayo!

Adeus Alpamayo!

Plantas estranhas.

Plantas estranhas.

A Mariana e as flores do vale.

A Mariana e as flores do vale.

O Seb a caminho do próximo passo.

O Seb a caminho do próximo passo.

Lagoa de altura.

Lagoa de altura.

image

Tiny.

Selfie de montanha.

Selfie de montanha.

Cucu!

Cucu!

Flores de montanha.

Flores de montanha.

Vales perdidos no tempo.

Vales perdidos no tempo.

O curral e o jardim.

O curral e o jardim.

Vidas diferentes.

Vidas diferentes.

Luz do entardecer.

Luz do entardecer.

Wilca.

Huilca.

Paredes verticais.

Paredes verticais.

Os pastores de Huilca.

Os pastores de Huilca.

Jeremias.

Jeremias.

A mais nova.

A mais nova.

A família.

A família.

Rocha e neve.

Rocha e neve.

Um novo vale, bem verde.

Um novo vale, bem verde.

Cascata na pausa de almoço.

Cascata na pausa de almoço.

Filtrando água de noite.

Filtrando água de noite.

Amanhecer no vale e o glaciar ao fundo.

Amanhecer no vale e o glaciar ao fundo.

Vale de Jancapampa ao amanhecer.

Vale de Jancapampa ao amanhecer.

Vale de Jancapampa.

Vale de Jancapampa.

O jardim de infância.

O jardim de infância.

Cume.

Cume.

Quinoa.

Quinoa.

Flor de tremoço.

Flor de tremoço.

A Mariana contente com o retorno do Sol.

A Mariana contente com o retorno do Sol.

Mais um passo magnífico.

Mais um passo magnífico.

Mais um pico aguçado.

Mais um pico aguçado.

image

O glaciar ao fundo.

Mais uma lagoa de altitude.

Mais uma lagoa de altitude.

Desta vez tivemos de tirar os sapatos... fresquinha!

Desta vez tivemos de tirar os sapatos… fresquinha!

Amanhecer de fogo, antes da chuvada.

Amanhecer de fogo, antes da chuvada.

Chuvada da manhã.

Chuvada da manhã.

A caminho do último passo.

A caminho do último passo.

O último passo.

O último passo.

Mais um cume nas nuvens.

Mais um cume nas nuvens.

Neve aguçada.

Neve aguçada.

Follow the way.

Follow the way.

Mais uma selfie com a montanha.

Mais uma selfie com a montanha.

Montanha florida.

Montanha florida.

Leito de rio bucólico.

Leito de rio bucólico.

Mesmo do mino-bus da volta, a vista é linda.

Mesmo do mino-bus da volta, a vista é linda.

As queñua e o lago.

As queñua e o lago.

Tronco de Queñua.

Tronco de Queñua.

]]>
http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/07/10/o-norte-final-parte-2/feed/ 0
(Português) O norte final – Parte 1 http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/07/08/o-norte-final-parte-1/ http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/07/08/o-norte-final-parte-1/#respond Sat, 08 Jul 2017 17:57:55 +0000 http://www.cycle2serendipity.com/?p=1489 Continuar]]> Disculpa, pero esta entrada está disponible sólo en Portugués De Portugal y Francés. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in one of the available alternative languages. You may click one of the links to switch the site language to another available language.

Há que assumi-lo, fomos ao Perú sem o nosso Quetzal.
A um pouco menos de dois meses do final da nossa viagem (sim, porque nada pode durar para sempre…) damos por nós num dilema: continuar Perú acima em bicicleta ou deixar o Quetzal a descansar um pouco mais na casa da nossa amiga Isa em La Paz. Dois meses pode parecer muito tempo para o comum dos mortais que tem no máximo três semanas de férias seguidas ao ano, no entanto, na escala de tempo do ciclista, dois meses é claramente pouco tempo para se ver um país tão grande como o Perú decentemente. Além do mais, dois pontos de passagem obrigatória para nós, se impunham: a Cordilheira Branca e Chicama, localizados no centro e norte do Perú, respectivamente (bem longe um só outro). Assim sendo, e com vontade de terminar mais tarde a nossa viagem em La Paz, decidimos partir para uma ida e volta ao Perú em modo ultra-light: uma grande mochila e uma pequena mochila.

O primeiro ponto de passagem, ainda no final de Maio, foi a famosa zona de Cusco, com o seu mais-que-célebre Machu Picchu. Aqui chegámos desde La Paz, após 15 dolorosas horas de autocarro. Em toda esta zona estivemos acompanhados da Ema e da Apo, as duas tandemistas francesas que já havíamos conhecido e que deixaram também a sua montada em repouso uns dias.
Como toda a gente vai ao Machu Picchu directamente ou seguindo o cem-mil-vezes-calcorreado Inca Trail, decidimos que íamos fazer diferente. Alguém nos falou num tal trek do Choquequirao, o pseudo novo Machu Picchu, pouco visitado e ainda em exploração. Ok, porque não, vamos lá então ver essas ruínas alternativas. O que não nos explicaram, é que chegar às fantásticas ruínas implicava desníveis diários de 1400 m de descida e 1300 m de subida, num mesmo vale (portanto na descida já se vêem maravilhosamente bem todos os zigzags da subida…), infestados de mosquitos, ou pior, de mini-mosquinhas que picam, sem fazerem ruído algum, qualquer milímetro quadrado que não esteja 100% coberto de repelente durante uma fracção de segundo e que dão uma comichão danada durante dias ou mesmo semanas. Está explicada a falta de frequentação de tão inéditas ruínas!
Junte-se a um trek duríssimo sob um sol escaldante o facto de que eu e o Seb, em dieta por causa da vida que nos habita, não podermos comer açúcares, nem gorduras, nem lácteos, no fundo tudo o que permite uma sobrevivência digna num trek desta espécie.
Enfim, lá sobrevivemos e felizmente, graças à sugestão dum guia francês providencial, alteramos os planos dos últimos dois dias de trek, e em vez de chegarmos a Aguas Calientes directamente a partir de Yanama, decidimos explorar um antigo caminho Inca num outro vale, que desta vez sim, vale bem a pena!
Eventualmente chegamos a Aguas Calientes e enfrentamos com coragem a horda de turistas mochileiros, ricos, novos, velhos, um pouco de todo o mundo, e visitamos dignamente o Machu Picchu acompanhados de um guia, concluindo por fim que deixem-se lá de tretas por favor, o Choquequirao é boniro, mas o Machu Picchu é bem mais lindo, trabalhado e variado que o Choquequirao, e não é preciso ser comido vivo pelas mosquinhas nem subir e descer todos os vales da região para o poder apreciar.
Terminamos este capítulo da visita ao Perú em Cusco, provavelmente a mais bela cidade da América do Sul, pelo menos daquelas em que estivemos e estaremos nós.

Cholitas da janela do autocarro.

Cholitas da janela do autocarro.

image

Desaguaero: fronteira Bolívia - Peru

Desaguaero: fronteira Bolívia – Peru

A máfia cholita - câmbio de moeda.

A máfia cholita – câmbio de moeda.

Yo amo Jesus (e o sumo do açúcar de cana).

Yo amo Jesus (e o sumo do açúcar de cana).

image

O caminho das mosquinhas.

image

image

image

Terraços de Choquequirao.

Terraços de Choquequirao.

Casa do sacerdote.

Casa do sacerdote.

Ruínas de Choquequirao.

Sítio de Choquequirao.

image

image

image

image

image

Os terraços dos Lamas.

Os terraços dos Lamas.

Nós e os lamas.

Nós e os lamas.

image

image

image

Río Blanco.

Río Blanco.

image

image

image

A caminho de Yanama.

A caminho de Yanama.

image

Camping em Yanama.

Camping em Yanama.

image

image

image

image

image

Caminho Inca.

Caminho Inca.

Machu Picchu

Machu Picchu.

image

image

El condor.

El condor.

Puente del Inca.

Puente del Inca.

image

image

image

Tiemplo del Sol - Machu Picchu.

Tiemplo del Sol.

Plaza de Armas de Cusco.

Plaza de Armas de Cusco.

Escadaria em Cusco.

Escadaria em Cusco.

Igreja.

Igreja.

Plaza de Armas.

Plaza de Armas.

Igreja de San Pedro.

Igreja de San Pedro.

Paredes Incas.

Paredes Incas.

Pedra Inca dos 12 ângulos.

Pedra Inca dos 12 ângulos.

]]>
http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/07/08/o-norte-final-parte-1/feed/ 0
(Português) Uma outra velocidade http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/06/19/uma-outra-velocidade/ http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/06/19/uma-outra-velocidade/#comments Mon, 19 Jun 2017 20:22:26 +0000 http://www.cycle2serendipity.com/?p=1348 Continuar]]> Disculpa, pero esta entrada está disponible sólo en Portugués De Portugal y Francés. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in one of the available alternative languages. You may click one of the links to switch the site language to another available language.

Mudança de ponto de vista, ou de meio de deslocação. Chegamos finalmente à Bolívia, depois de 4 dias de boleia de camião no norte chileno. Essa pequena epopeia diurna e nocturna deixou-nos nas melhores condições para nos adaptarmos à altitude: uma falta de sono danada, desidratação, cansaço… e a cereja no topo do bolo: a pequena pausa (não anunciada) do autocarro Iquique-La Paz de 5 ou 6 horas no posto fronteiriço de Chungará-Tambo Quemado, a 4700 m de altitude, à espera da abertura da fronteira às 8 da manhã. Consta que 5 ou 6 horas correspondem exactamente ao lapso de tempo necessário para o corpo começar a revelar os primeiros sintomas de mal de altitude. Em conjunto com a nossa forma já de si fantástica nesse momento, a espera na fronteira torna-se então no golpe de misericórdia que faltava.
Eventualmente, chegamos a La Paz, onde nos aclimatamos mais tranquilamente em casa da nossa amiga Isa, enquanto esperamos os pais Blein.

 

La Paz.

La Paz.

Valle de las Animas.

Valle de las Animas.

As mil variedades de batata da Bolívia.

As mil variedades de batata da Bolívia.

Dia de feira em el Alto...

Dia de feira na cidade del Alto…

...visto de uma das várias linhas de teleférico de La Paz.

…visto de uma das várias linhas de teleférico de La Paz.

O estilo "Cholet", em voga entre os novos-ricos bolivianos.

O estilo «Cholet», em voga entre os novos-ricos bolivianos.

 

Começa depois o segundo capítulo (ou capítulo francês) do «tempo de família» com uma aclimatação tranquila na beira do lago Titicaca, entre Copacabana, Yampupata e a famosa Isla del Sol. Os passeios servem de aclimatação e as subidas aos calvários tomam todo o seu sentido literal, principalmente para os nossos dois hóspedes acabados de chegar ao Altiplano, a uma altitude média de 4000 m. Com os vestígios Inca e mitologias associadas, a herança colonial e a influência das tradições locais na Igreja, assim como o célebre «lago navegável mais alto do mundo», com a Cordillera Real coberta de sumptuosos glaciares como pano de fundo, uma boa introdução à visita da Bolívia está assegurada.

 

Atravessando o lago Titicaca, a caminho de Copacabana.

Atravessando o lago Titicaca, a caminho de Copacabana.

O baptismo dos carros pelo padre de Copacabana.

O baptismo dos carros pelo padre de Copacabana.

A igreja de Copacabana.

A igreja de Copacabana.

Os meninos e as cruzes.

Os meninos e as cruzes.

 

Isla del Sol e o Lago Titicaca

Escalera del Inca - Isla del Sol, lago Titicaca.

Escalera del Inca – Isla del Sol, lago Titicaca.

A utilidade infinita das saias das cholitas.

O potencial das saias das cholitas.

image

image

image

image

Os tremoços da Isla del Sol.

 

image

image

image

 

Conhecendo o Seb já uma parte do Sud Lipez e tendo os Blein uma experiência significativa em travessias de deserto, partimos em direcção ao sudoeste com um todo-o-terreno alugado (sem operador turístico, para maior liberdade) para um belo circuito desde La Paz, passando por Sajama, Coipasa e San Juan, até ao vulcão Licancabour, bem ao sul do Sud Lipez, voltando depois por Uyuni e Oruro. O veículo de aluguer «especialmente preparado para o nosso programa» reservou-nos apesar de tudo algumas surpresas, mas parece que essas coisas fazem parte da viagem… A primeira parte do nosso percurso à volta do vulcão Sajama (a cabeça do Murupata que o Ilimani cortou num dia especialmente violento…) e da aldeia com o mesmo nome, envolve-nos rapidamente na atmosfera única do Altiplano, com as suas estepes áridas, vulcões cobertos de neve ou glaciares, nuances de cores do amarelo ao ocre, passando por contrastes variados de verde no leito do mais insignificante dos rios, formações geológicas surpreendentes, águas termais e naturalmente toda uma gama de camélidos simpáticos (lamas, alpacas e vicunhas). O troço seguinte, entre o Sajama e o Salar do Uyuni é claramente o mais selvagem. As raras povoações atravessadas não têm mais que um ou dois habitantes e as principais pessoas que cruzamos no caminho são unicamente os contrabandistas omnipresentes nesta rede de pistas arenosas que bordeja a fronteira com o Chile.
O primeiro encontro com esta estirpe é bem surprendente. Vamos para cruzar um grupo de veículos brancos banais e o mais próximo de nós dá meia volta precipitadamente deixando uma nuvem de poeira no horizonte. Pouco tempo depois, um dos veículos ousa aproximar-se de nós, retomando a sua direcção inicial. Ao cruzar-nos, pede-nos veementemente que paremos, deita-nos um olhar esgazeado e relaxa finalmente ao perceber que somos apenas inofensivos turistas em viagem na zona e que não, não cruzámos antes nenhum controlo policial. O condutor do veículo sem matrícula continua então o seu caminho, seguido por todos os outros que finalmente se aproximam. Na verdade, não sei quem estaria mais inquieto, se eles se nós, que aparentemente temos um veículos demasiado semelhante ao do controlo alfandegário, com o seu grande motor, cor preta e vidros fumados. Vemos as nossas dúvidas esclarecidas mais tarde pela única habitante da povoação seguinte, que nos explicou que os tais «chuteros» são parte natural da paisagem por estes lados e lhe oferecem às vezes pequenas prendas ao passarem. Simples caridade ou compra de silêncio, nunca saberemos.
Continuamos depois pelas pistas, alternando areia e estepes salgadas, rodeados de rebanhos de lamas e alpacas e sempre com vulcões nevados como pano de fundo. Algumas travessias de rios quase nos obrigam a voltar para trás, mas conseguimos escolher bem as linhas com melhor aspecto, após analisar a pé a profundidade e natureza do fundo. A cada obstáculo que nos parece sério, pensamos nos chuteros que seguem os mesmos caminhos com os seus carros normais de cidade… há de valer bem a pena a carga!
Avançando aos poucos no nosso percurso, desenvolvemos progressivamente uma relação com os chuteros. É em Coipasa, quando damos por nós face a face com um salar em água, implicando uma travessia de uns 40 km sobre uma crosta de sal mais ou menos firme coberta de 40 cm de água (que impossibilita a análise visual do solo), que decidimos mesmo aproveitar o seu perfeito conhecimento da zona para atravessarmos o espelho de água gigante e evitarmos assim um desvio de pelo menos um dia. A sua proposta de os seguirmos para não sairmos do bom caminho (invisível) foi inicialmente puramente altruísta, mas acabou por lembrar-se de enviar no nosso carro o seu irmão mais novo, que nos mostraria o caminho e poderíamos assim seguir nós na dianteira. Obviamente que a perspectiva de seguirmos nós em primeiro no caminho invisivel indicado pelo jovem irmão de um chutero nos deixou, no mínimo, um pouco inquietos. Lá o convecemos a seguirmos atrás, pelo menos até à primeira zona seca no meio do salar. Avançamos lentamente, desejando mentalmente ter um veículo anfíbio. Se houvesse moscas no Altiplano, ouvir-se-iam certamente os seus zumbidos, tal a concentração para perceber a dureza aleatória do fundo do salar. Além do mais, os nossos acompanhantes mostram algum espanto relativamente à quantidade de água do salar, praticamente seco na véspera. Supõe-se que o vento terá empurrado sobre o solo quase perfeitamente plano uma camada de água significativa para a nossa zona.
Atacamos a segunda zona inundada seguindo na dianteira, desta vez já mais confiantes. A linha do horizonte perde-se no espelho perfeito da água sem vento e o céu e o solo fundem-se num só plano. A orientação duvidosa, mas milimetricamente perfeita do nosso jovem guia, que seguia as montanhas na distância, leva-nos ao ponto exacto de saída do salar, por onde, após uns últimos 100 m bem tensos que nos queríam guardar para si, saímos e sentimos finalmente terra firme. No final de contas, servimos de escoteiros para a prevenção de eventuais viaturas no caminho e eles tornaram possível a nossa travessia. Uma troca de serviços sem dúvida equilibrada!
A caminho do Sajama...

A caminho do Sajama…

 

Vizcachas trepadoras!

Vizcachas trepadoras (animal algures entre uma lebre e um canguru)!

 

Parque Nacional Sajama

Igreja de Tomarapi, a caminho de Sajama.

Igreja de Tomarapi.

 

image

image

image

image

image

As termas de Sajama.

Paisagens geotérmicas.

Paisagens geotérmicas.

 

A caminho de Coipasa

image

image

Vedações coloridas.

Vedações coloridas.

image

Igreja de Iruni.

image

image

O almoço após uma bela travessia de rio.

 

Primeira parte da travessia do salar de Coipasa.

Primeira parte da travessia do salar de Coipasa.

image

O Sajama que se torna numa miragem ao longe, e o salar a perder de vista.

O super piloto do nosso 4x4.

O super piloto do nosso 4×4.

image

Os nossos guias-chuteros.

Água salgada transparente.

Água salgada transparente.

Água e céu.

Água e céu.

Uf! Terra firme.

Uf! Terra firme.

 

E depois do salar de Coipasa, depois das múmias Aymara abrigadas em corais fossilizados, dos campos de quinoa vermelhos a perder de vista, alcançamos finalmente o famoso salar do Uyuni, muito mais seco que o seu irmão mais pequeno do norte e semeado de pequenas ilhas infestadas de cactos gigantes, daqueles que se vêem nos desenhos animados. A mudança de ambiente é radical. Os chuteros são substituídos por hordas de turistas enlatados na centena de Toyotas estacionados à volta da Isla de Incahuasi. Mesmo assim, a paisagem é feérica e aproveitamos a partida dos operadores turísticos para admirar um esplêndido pôr-de-sol quase sozinhos, antes de seguirmos viagem em direcção ao sul.

 

O Salar do Uyuni

image

Sal a perder de vista.

Modo burguês ON.

Zé, o azeiteiro – ou – o ciclista vendido.

Ilha Incahuasi, no salar do Uyuni.

Isla Incahuasi, no salar do Uyuni.

image

image

Orgulho boliviano.

O chapéu e o pôr-de-sol no salar.

O cowboy solitário, bem acompanhado, ao pôr-do-sol no salar.

 

E finalmente entramos no Sud Lipez, onde a erosão aquática e eólica, movimentos tectónicos milenares e a secura, esculpiram uma paisagem marcial digna de Dali. O Sol queima, o vento corta, a altitude tira o fôlego, os vulcões são cumes nevados na distância, os desertos foram pintados com uma paleta infinita de ocres e as lagoas desafiam a realidade esperada do azul, brilhando em tons de verde, vermelho, rosa, pastel. Graças a Deus que não temos à mão a nossa máquina fotográfica em reparação em La Paz, claramente não teríamos conseguido andar mais de uns escassos metros por dia, caso contrário.
Dou por mim a pensar que tendo já visto tantas paisagens maravilhosas nesta vida, claramente tinha ainda uma grande lacuna neste planeta, este Altiplano boliviano.

 

O Sud Lipez, bem-vindos a Marte.

image

Campos de quinoa.

Campos de quinoa.

Planta da Quinoa.

Planta de quinoa.

Necrópole Aymara em San Juan del Rosário.

Necrópole Aymara em San Juan del Rosário.

Hello there.

Zorro colorado.

Zorro colorado.

IMG_7291_jpg

Geisers.

Geisers.

image

IMG_7305_jpg

image

Uma das rochas mais fotografadas do mundo : a Árbole de Piedra.

image

image

image

image

image

 

Cemitério de comboios do Uyuni.

Cemitério de comboios do Uyuni.

"Nothing is impossible."

«Nothing is impossible.»

Hostel de sal.

Hostel de sal.

 

É enfim tempo de voltar a La Paz, de onde partimos rapidamente em direcção ao calor dos Yungas, a pré-selva das vertentes que descem do Altiplano em direcção à selva tropical. O contraste absoluto é alucinante: o calor substitui o frio, a humidade e vegetação luxuriante, típicas dos climas tropicais, aliviam a secura extrema do Altiplano, uma incrível diversidade de coisas que picam e deixam uma comichão horrorosa toma o lugar da quase ausência de seres vivos; o carácter naturalmente asséptico dos 4000 m altiplanescos é substituído por uma combinação explosiva de pouca higiéne e profusão de bactérias e parasitas que me atiram uns dias para a cama com febre e sobretudo cólicas desumanas, pela primeira vez na nossa viagem.

 

Los Yungas

Selva.

Selva.

image

image

image

Folhas de Coca a secar.

Folhas de coca a secar.

Grãos de café.

Grãos de café.

 

Enquanto a Mariana se bate em cólicas intestinais sobrehumanas contra hipotéticos parasitas microscópicos colhidos nos Yungas, nós aproveitamos a janela meteorológica tão esperada para fazer uma apresentação da Cordillera Real aos pais Blein. Prevemos, in extremis, um trek de três dias (o voo de volta dos pais Blein no quarto dia) inspirado em algumas ideias do amigo Radek. Dois dias de aproximação desde o sopé do Huayna Potosi até à laguna Chiar Kota (campo base do Condoriri e do Pequeño Alpamayo), passando magníficos passos em altitude e terminando com a ascenção do modesto, mas esplêndido Pico Austria, permitem uma impregnação completa da atmosfera única dum cume da Cordillera Real. Entre os lamas e alpacas, a progressão é tranquila, sempre com vista ao Altiplano e lago Titicaca, e vigiados constantement pela impressionante face oeste do Huayna Potosi, a singular Aguja Negra e outros picos sem nome talvez jamais escalados pelo Homem. O nosso último dia foi um desse tipo de dias absolutamente perfeitos, com uma meteorologia finalmente digna do Inverno boliviano (frio e seco, com uma visibilidade extraordinária), ninguém no nosso caminho, os pais Blein bem aclimatados e em super forma e um pequeno banquete no cume! Estes três dias fecham assim com emoção este «tempo de familia» versão francesa, à imagem da versão portuguesa de alguns meses antes.

Cordillera Real

image

Huayna Postosi.

image

image

image

No sopé da face oeste do Huayna Potosi.

image

image

Workshop de purificação de água.

image

Acima da Laguna Tuni.

image

Laguna Chiar Kota, Pico Austria, Condoriri e Pequeño Alpamayo.

image

Shiuuu.. «Sobretudo, não te vires»…

image

Subindo ao Pico Austria com o Condoriri como pano de fundo.

image

Crista do cume do Pico Austria e o lago Titicaca longe no horizonte.

 

Condoriri.

A cabeça do Condoriri.

No cume do Pico Austria.

No Pico Austria, o jesus (grande saucisson) faz a sua aparição.

image

 

Série: Retratos de Lamas e Alpacas

image

Os guardiões do Condoriri.

 

image

«Talvez se eu saltar muito, consigo não molhar as patas…»

image

O estóico.

image

O guardião do Sajama.

image

O da outra margem.

image

O Rasta… ou Chubaca.

image

O coquete.

image

O divino.

image

O fofinho.

image

A estrela.

 

Isa y Radek

]]>
http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/06/19/uma-outra-velocidade/feed/ 1
(Português) O Norte do Chile http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/06/07/norte-de-chile/ http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/06/07/norte-de-chile/#respond Wed, 07 Jun 2017 20:44:52 +0000 http://www.cycle2serendipity.com/?p=1251 Continuar]]> Disculpa, pero esta entrada está disponible sólo en Portugués De Portugal. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. You may click the link to switch the active language.

À primeira vista, para alguém que visite Santiago ou a região dos lagos e vulcões, o Chile poderia ser o país de primeiro mundo que querem fazer crer a toda a gente que é o mais evoluído da América do Sul. Há poder de compra, há consumismo, há modernismo, há gente que vai de férias a Miami.
Desenganem-se as gentes. Uma pequena volta no norte chileno, assim em três ou quatro camiões, e toda uma utopia cai por terra. E não não, não estou a falar do deserto do atacama, onde os turistas dão voltas de jipe e tiram fotos com cactos gigantes.
Estou a falar de sítios como La Negra. Se existe um inferno, certamente se assemelha à La Negra. Chegámos às duas da manhã à COPEC de La Negra, um pequeno ponto no mapa às portas de Antofagasta, a cidade mineira do Chile por excelência. Chegámos num camião que conduzia (como todos os outros) em excesso de velocidade. Nos meus piores pesadelos de ficção científica é de noite e o mundo tornou-se num lugar cinzento, povoado por fábricas e camiões e pessoas-autómato. O ar é irrespirável, há um ruído de fundo metálico, surdo e monótono, de fábricas em funcionamento constante. E tudo, tudo está morto, as plantas estão cobertas de uma fina poeira cinzenta, os telhados e as paredes das casas estão cobertos de uma fina poeira cinzenta, os parques infantis estão cobertos de uma fina poeira cinzenta como se não tivessem sido utilizados há séculos; os únicos animais existentes são cães vadios e esfomeados que ladram ao longe e ao perto e a todas as distâncias, enchendo o ar de angústia. No fundo dos olhos das pessoas há uma fina poeira cinzenta enquanto apanham o autocarro dos trabalhadores das minas ou das fábricas. Os meus piores pesadelos de ficção científica passavam-se afinal em La Negra, no norte do Chile.
Não, não estou a falar do deserto do atacama, onde os turistas dão voltas de jipe e tiram fotos com cactos gigantes.
Estou a falar dos quase 2000 km de deserto e mar que se estendem mais ou menos do norte de La Serena até à  fronteira com o Peru. Quase 2000 km de deserto e mar tóxico e minas. Minas de cobre e prata. Minas enormes que são proprietárias dos quilómetros a perder de vista de deserto, minas onde entram e saem ininterruptamente linhas infinitas de camiões. Minas alimentadas por quilómetros de cabos e postes de alta tensão que sulcam e dilaceram o Chile desde as enormes barragens das hidroeléctricas que inundam vales desde o sul mais ao sul da Carretera Austral. Minas cujos resíduos deixados a céu a aberto nas praias percolam e desaparecem lenta, mas inevitavelmente, nas águas do Oceano Pacífico. As minas que governam o Chile, que alimentam o Chile, que são o motor duma economia crescente e capitalista ao extremo, que serão um dia a perdição do Chile. Porque um dia, o dinheiro fácil dos minerais vai acabar. E o Chile vai perceber que afinal ainda é um país do terceiro mundo.

20170409_091538

COPEC Copiapó. Uma tarde e uma manhã de espera. Uma noite no jardim da estação de serviço. Mal sabíamos nós a maravilha de sítio para dormir que não era!

20170409_105137

COPEC de la Serena. Apenas umas horas de espera, o tempo de uma sandes.

20170410_114950

As linhas rectas infindáveis do Norte. E as linhas eléctricas infindáveis do Norte.

20170410_172413

Descidas inclinadíssimas, para lá das leis da gravidade, se acreditarmos no sinal.

O deserto precipita-se na costa em dunas gigantescas.

O deserto precipita-se sobre a costa em dunas gigantescas.

Pior noite de toda a viagem - acampamento em La Negra.

Pior noite de toda a viagem – acampamento em La Negra.

Amanhecer em La Negra.

Amanhecer em La Negra – sítio de acampamento à direita.

E finalmente chegámos a Iquique, o primeiro sítio agradável depois de sairmos de La Serena.

E finalmente chegámos a Iquique, que nos pareceu o sítio mais lindo do mundo depois de  quatro dias a atravessar o deserto do norte chileno.

Praça de Iquique.

Praça de Iquique.

Mangas fantásticas do mercado de Iquique.

Mangas fantásticas do mercado de Iquique.

 

Paula y familia (a nossa salvação em Copiapó) – Miguel – Felipe – Maurício – Pablo

]]>
http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/06/07/norte-de-chile/feed/ 0
(Português) Cidades sul-americanas http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/06/05/cidades/ http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/06/05/cidades/#respond Mon, 05 Jun 2017 01:58:16 +0000 http://www.cycle2serendipity.com/?p=978 Continuar]]> Disculpa, pero esta entrada está disponible sólo en Portugués De Portugal. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. You may click the link to switch the active language.

Passámos em finais de Março pelas grandes cidades, para ver se a civilização ainda existia.

Santiago do Chile foi o ponto de partida, onde fomos acolhidos como se fossemos família em casa dos pais do Chalo. De Santiago não gostámos, talvez pelo choque de chegar do pequeno paraíso que é San Fábian de Alico, talvez porque os sismos já destruíram quase tudo o que havia de bonito para ver ou talvez ainda porque o smog é tão intenso que não nos deixa ver o que de mais bonito teria esta cidade: a cordilheira como pano de fundo. Assim, ficam só os arranha-céus e as ruas estreitas, poluídas e cheias de gente do centro antigo (mais uma catedral ou outra) e as avenidas novas de belos relvados, colégios para os filhos da classe alta e centros comerciais gigantes.

image

image

image

image

image

20170406_115324

Daí fomos a Valparaíso, parece que não há que perder cidades património da humanidade, e já agora queríamos saber do que se falava. Pareceu-nos efectivamente uma cidade diferente, no fundo, uma cidade em que toda a gente se expressa livremente. Há quem faça coisas bonitas e há quem desfaça coisa bonitas. O Pablo Neruda, por exemplo, fez uma bela casa, donde se vê o oceano em grande esplendor.

Guarde-se na memória sobre Valparaíso o que se quiser: que é uma cidade com uma dinâmica artística fantástica, de tesouros escondidos ao virar de cada esquina, que desce das suas colinas até ao imenso Pacífico; ou uma cidade portuária caótica, suja e decadente. Talvez um pouco das duas, talvez seja esse o seu encanto, a sua capacidade de manter em coexistência dois mundos opostos.

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

 

Alguns dias depois, atravessámos o continente para ir ver o Atlântico. Ou o Bruno e a Renata, dependendo do ponto de vista.

Depois de Santiago, Montevideo pareceu-nos uma lufada de ar fresco: grandes parques, belos edifícios dos tempos coloniais (bem ao estilo europeu antigo) e o ar do mar a soprar de todas as direcções. Punta de leste, o paraíso artificial dos milionários deste mundo, Colónia de Sacramento, um pequenino lugar bem arranjado e escondido do tempo. Tempo de família, uma vez mais, visitámos os que andam por aqui perdidos neste lado do Atlântico.

image

image

image

image

image

DSCF7906

Atravessando o Mar de Plata chegámos depois a Buenos Aires e a Cardales, dependendo do dia. Em Cardales descobrimos maravilhados o incrível mundo dos super-ricos do pólo internacional: bem-vindos a um dos vários campos do Ellerstina. Mais uma vez entre cavalos, aprendemos agora tudo sobre que é necessário para criar um cavalo campeão mundial de pólo.

Photo 29-03-17, 22 28 40 (1)

Photo 29-03-17, 22 41 03

20170330_104351

Photo 31-03-17, 00 43 06

Buenos Aires foi tudo o que esperaríamos de uma decente capital europeia: cosmopolita, cheia de parques e edifícios bonitos, com zonas pitorescas e vibrante de actividade noite e dia. A mãe e a avó da Renata garantiram o sucesso da nossa estadia.

Photo 01-04-17, 18 07 26

Photo 01-04-17, 19 47 27

Photo 01-04-17, 20 14 59

Photo 01-04-17, 20 36 07

Photo 01-04-17, 19 55 47

Photo 01-04-17, 19 43 49

Photo 01-04-17, 19 58 32

Photo 03-04-17, 19 14 15

Photo 04-04-17, 15 39 45

Leticia y familia – Bruno, Susana y Emi – Renata, Sergio, Míssil y Pepa – Estella y su Maman

]]>
http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/06/05/cidades/feed/ 0
(Português) Cabalgata – Do Vale à Montanha http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/05/04/cabalgata/ http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/05/04/cabalgata/#comments Thu, 04 May 2017 20:35:11 +0000 http://www.cycle2serendipity.com/?p=921 Continuar]]> Disculpa, pero esta entrada está disponible sólo en Portugués De Portugal. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. You may click the link to switch the active language.

Foi lá para os lados da cordilheira, para lá de San Fabián de Alico, lá onde só vivem os huasos e as poucas mulheres que os acompanham, com coragem de enfrentar essa vida tão solitária…

 

Os cavaleiros

Kora

Kora

Chalo

Chalo

Camille

Camille

Nils

Nils

Mariana

Mariana

Sébastien

Sébastien

 

O huaso-chefe

Miguel

Miguel

 

E assim foi, durante 5 dias solarengos…

Cavalos todo-o-terreno.

Cavalos todo-o-terreno.

Travessias de rios...

Travessias de rios…

Churrascos nocturnos.

Churrascos nocturnos.

Selar os cavalos todas as manhãs, porque as noites eram para eles irem onde quisessem.

Selar os cavalos todas as manhãs, porque as noites eram para eles irem onde quisessem.

Formações rochosas geométricas.

Formações rochosas geométricas.

Montanhas a perder de vista...

Montanhas a perder de vista…

Cascatas improváveis.

Cascatas improváveis.

Cavalos selvagens (?) ao longe.

Cavalos selvagens (?) ao longe.

Cumes e mais cumes.

Cumes e mais cumes.

E conglomerados originais.

E conglomerados originais.

E montanhas até ao infinito.

E montanhas até ao infinito.

Mais uma manhã de sol.

Mais uma manhã de sol.

Lagos de águas transparentes e azuis.

Lagos de águas transparentes e azuis.

Uma das duas mulas que viajavam connosco.

Uma das duas mulas que viajaram connosco.

Um rebanho de cabras felizes.

Um rebanho de cabras felizes.

Vales imensos.

Vales imensos.

Lá ao fundo, os huasos afinal são gauchos!

Lá do fundo, a cavalo!

A caminho de mais uma lagoa.

A caminho de mais uma lagoa.

Desta vez foram trutas!

Desta vez foram trutas!

Pela manhã, abandonámos mais um puesto solitário…

E à sua lagoa.

…e a sua lagoa.

E já não é de agora, isto dos huasos (ou gauchos) e os seus cavalos...

E já não é de agora, isto dos huasos (ou gauchos) e os seus cavalos…

Encontros raros.

Encontros raros.

A outra mula.

A outra mula.

Cavaleiro-pescador.

Cavaleiro-pescador.

Mais uma lagoa ao fundo…

Mais um rio.

E aos poucos voltámos para casa.

 

Obrigada Copihue!

Obrigada Copihue!

Obrigada Patilla!

Obrigado Patilla!

 

Do vale à montanha – Fernando Pessoa

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte, cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por casas, por prados,
Por Quinta e por fonte,
Caminhais aliados.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por penhascos pretos,
Atrás e defronte,
Caminhais secretos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por quanto é sem fim,
Sem ninguém que o conte,
Caminhais em mim.

 

Kora y Chalo – Miguel – Camille y Nils

]]>
http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/05/04/cabalgata/feed/ 1
(Português) El valle del Aluminé http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/04/09/el-valle-del-alumine/ http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/04/09/el-valle-del-alumine/#comments Sun, 09 Apr 2017 19:23:19 +0000 http://www.cycle2serendipity.com/?p=874 Continuar]]> Disculpa, pero esta entrada está disponible sólo en Portugués De Portugal. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. You may click the link to switch the active language.

Passados alguns dias em El Bolsón entre voos, piscina e assados, estava na altura de seguir viagem. Além do mais, uma nova data se impunha: até dia 12 tínhamos de estar em San Fabián de Alico, novamente do outro lado da fronteira, umas centenas de quilómetros mais a norte. Contas feitas, teríamos direito a uns seis dias de pedalada. Assim sendo, havia que escolher qual o pedacinho mais bonito de caminho a pedalar, já que o resto teria de ser em autocarro, para não perder tempo. Conversas à esquerda e à direita, decidimos não fazer a travessia clássica em Villa Angostura, para não passar em Pucón ou Villarica, que de turistas por todo o lado já vínhamos nós cheios depois da Carretera Austral e de El Bolsón em fim de férias escolares. Escolhemos então seguir os conselhos de Martín, que nos falou do vale do Río Aluminé que começa lá longe no Lago Icalma, perto do Paso fronteiriço do mesmo nome. Fomos assim em busca de lagos, vulcões e araucárias só para nós, lá onde os turistas não são tantos. De El Bolsón chegámos em autocarro a Junín de los Andes, bonito pueblo meio perdido no nada da pampa Argentina, e a partir daí começámos o nosso périplo ensolarado que terminaria uns dias mais tarde sob uma chuva torrencial gelada que nos fez desaguar em Caracautín.

O vulcão Lanín lá ao fundo.

O vulcão Lanín lá ao fundo.

Seguindo o Río Aluminé.

Seguindo o Río Aluminé pela pampa Argentina…

Rochedos imponentes.

Rochedos imponentes.

Acampamentos bem agradáveis nas margens do Aluminé.

Acampamentos bem agradáveis nas margens do Aluminé.

Papagaios...

Papagaios…

... e as primeiras araucárias.

… e as primeiras araucárias.

Ainda nas margens do Aluminé, decidimos ficar uma tarde tranquilos para passar a noite neste sítio lindo.

Ainda nas margens do Aluminé, decidimos ficar uma tarde tranquilos para passar a noite neste sítio lindo.

O Seb a filtrar água do Aluminé com o nosso super MSR Guardian Purifier.

O Seb a filtrar água do Aluminé com o nosso super MSR Guardian Purifier.

Araucárias ao amanhecer...

Araucárias ao amanhecer…

...e araucárias a qualquer hora do dia.

…e araucárias a qualquer hora do dia.

Lago Aluminé.

Lago Aluminé.

A Argentina vai ficando para trás...

A Argentina vai ficando para trás…

Lago Icalma, mais uma vez do lado Chileno após cozinharmos uma cebola, uma courgete e queijo para podermos entrar no Chile.

Lago Icalma, mais uma vez do lado Chileno após cozinharmos uma cebola, uma courgete e queijo para podermos entrar no Chile.

A caminho do parque Conguillo.

A caminho do parque Conguillo.

O vulcão Conguillo ao fundo e escadas antigas de lava.

O vulcão Conguillo ao fundo e escoadas antigas de lava ao perto.

O vulcão.

O vulcão.

No parque Conguillo.

No parque Conguillo.

E a saída miserável no último dia.

E a saída miserável no último dia.

 

Steph y Manu – Martín – Chris – famille de Victoria

]]>
http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/04/09/el-valle-del-alumine/feed/ 4
A Carretera Austral – um caminho de montanhas, glaciares, fjords e vegetação tropicalesca http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/02/25/a-carretera-austral/ http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/02/25/a-carretera-austral/#comments Sat, 25 Feb 2017 19:29:03 +0000 http://www.cycle2serendipity.com/?p=660 Continuar]]> Disculpa, pero esta entrada está disponible sólo en Portugués De Portugal y Francés. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in one of the available alternative languages. You may click one of the links to switch the site language to another available language.

Para nós a Carretera Austral começou no seu fim, em Caleta Tortel, onde a estrada termina abruptamente numa vila de passadiços de madeira e casas palafíticas.

Saímos de Puerto Natales às cinco da manhã, num ferry que demoraria mais de 48h a atravessar uma das regiões mais húmidas do planeta, a zona dos fjords do Sudoeste Chileno. 48h de navegação sempre com terra à vista: fjords e mais fjords em montanhas cobertas de vegetação, musgo e turbal até ao seu mais ínfimo centímetro. E água, água salgada nos canais, água doce que cai do céu incessantemente todo o ano e que escorre pelas montanhas circundantes em cascatas violentas que se precipitam no mar, e água sólida, nas calotes glaciares que se entrevêem entre as nuvens quando o Sol força a sua breve entrada.

O Ferry, os fjords e o céu cinzento.O Ferry, os fjords e o céu cinzento.

Montanhas de turbal e água e água...Montanhas de turbal e água e água…

Glaciares tímidos.

Glaciares tímidos.

Um pedaço de céu azul e rochas brancas.

Um pedaço de céu azul e rochas brancas.

O ferry e o arco-íris.

O ferry e o arco-íris.

Escala em Puerto Eden.

Escala em Puerto Eden.

Em Puerto Eden chove. Sobretudo, chove. Tudo tem ar de estar molhado desde sempre.

Em Puerto Eden chove. Sobretudo, chove. Tudo tem ar de estar molhado desde sempre.

Puerto Eden visto de cima. Água por todo o lado...

Puerto Eden visto de cima. Água por todo o lado…

Más escolhas de caminho...

Más escolhas de caminho…

 

Caleta Tortel tem um charme muito particular de aldeia de fim de mundo e também de aldeia palafítica. Este último charme é também o pesadelo de qualquer ciclista (especialmente dos tandemistas!). Ao fim de dois fantásticos dias de sol e calor, demorámos quase uma manhã inteira para conseguir sair de tanto charme.

As casas-palafita de Tortel.

As casas-palafita e os passadiços de Tortel.

Um terreno recém definido como apto para construção de casa.

Um terreno recém definido como apto para construção de casa.

Todo o espaço de terra é precioso... Mesmo as rochas!

Todo o espaço de terra é precioso… Mesmo as rochas!

Em fim de vida, por aqui é difícil dar destino às coisas.

Em fim de vida, por aqui é difícil dar destino às coisas.

O veículo dos bombeiros locais.

O veículo dos bombeiros locais.

As traseiras de Tortel.

As traseiras de Tortel.

Acima de Tortel, vêem-se os fjords ao longe...

Acima de Tortel, vêem-se os fjords ao longe…

E água, muita água.

E água, muita água.

E a saída dos passadiços...

E a saída dos passadiços…

...foi longa, muito longa.

…foi longa, muito longa.

 

Caleta Tortel – Cochrane

Este primeiro tramo foi inaugurado por uma tempestade de tipo tropical e pela felicidade de finalmente sentir calor. Sim, pela primeira vez desde o início da nossa viagem pudemos pôr as nossas t-shirts Natural Peak e calções de ciclista ao léu! E não, não é mais pampa que vemos todos os dias: o nosso caminho é agora pautado por uma vegetação tão densa que qualquer um se creria na selva amazónica e por glaciares que assomam de tempos a tempos acima das copas das árvores, como gigantes cogumelos brancos.

O mais marcante deste tramo foi talvez o encontro com a Luzmilla, velhota extremamente simpática que vive numa dessas casitas perdidas na beira da Carretera a que o governo chileno já fez chegar a energia solar. Passámos o seu portão atraídos pelo apelo do cartaz que dizia «Hay verduras» (carência profunda desde os nossos tempos em Tierra del Fuego) e saímos 4h mais tarde, já com o chá tomado, pãezinhos caseiros com compota caseira comidos, e os braços cheios de quantas groselhas e framboesas pudemos colher e carregar.

O início da Carretera!

O início da Carretera!

Primeira noite na Carretera.

Primeira noite na Carretera.

Super spot de acampamento da segunda noite na Carretera.

Super spot de acampamento da segunda noite na Carretera.

Jantar!

Jantar!

A fantástica compota da Luzmilla.

A fantástica compota da Luzmilla (e os pães, e as framboesas…).

 

Cochrane – Puerto Río Tranquilo

Em Cochrane, vila banal destas paragens, lutámos com a internet deste fim de mundo para tentar actualizar o nosso blog e saímos tão furiosos da luta que partimos a corrente do pobre Quetzal. Reparação, dormida em casa abandonada que apareceu mesmo a calhar, e chegámos no dia seguinte a Puerto Bertrand, um bonito pueblo de beira-lago, para abastecimento de víveres (aqui na Carretera podemos finalmente carregar comida para apenas um ou dois dias e recuperar o peso perdido em Tierra del Fuego) e seguimos depois em direcção ao Lago General Carrera (ou Buenos Aires, dependendo do ponto de vista), de lindas águas azul-turquesa-caraíbesco. Lá encontrámos uma praia privadas só para nós, no meio de todas as outras já ocupadas e aí dormimos. No dia seguinte chegámos a Puerto Río Tranquilo onde acabámos por ficar um dia mais esperando melhor tempo e encontrar, por puro acaso, a famosa dupla tandemista francesa de renome que já havíamos cruzado meses antes em Puerto Natales, Emma e Apaulline. Com elas visitámos as turísticas mas interessantes Capillas de Mármol no dia seguinte e fugimos depois ao bando de mochileiros que pedem boleia à saída desta vila.

Paisagens lindas.

Paisagens lindas.

Confluências de rios de águas distintas.

Confluências de rios de águas distintas.

Lago General Carrera.

Lago General Carrera e os glaciares.

Finalmente em t-shirt!!!

Lago General Carrera e a felicidade da t-shirt!

E as Capillas de Mármol…

P1060398

P1060424

P1060427

P1060439

P1060441

...que visitámos com a dupla tandemista feminina mais famosa da América do Sul!

…que visitámos com a dupla tandemista feminina mais famosa da América do Sul!

 

Puerto Río Tranquilo – Coyhaique

De Puerto Río Tranquilo até depois da (infernal) subida de Cerro Castillo fomos confrontados a um dos provavelmente piores rípios da nossa curta história de ciclistas na América do Sul, mas também a algumas das mais belas paisagens.

No final deste tramo, entrevemos temporariamente uma espécie de pampa e forte vento face que nos fizeram fugir numa pick-up à dolorosa sensação de déjà-vu.

P1060466

O bosque encantado…

P1060525

P1060534

P1060538

…e o glaciar ao fundo.

P1060528

P1060503

 

Coyhaique e em como tivemos de correr como tolinhos até Puerto Raúl Marín Balmaceda

Chegados a Coyhaique, descobrimos que passar entre Chiloé e a Carretera Austral era o sonho de toda a gente para este Verão sul-americano de 2016-2017. Damos por nós a ter então como única opção para sair em direcção a Chiloé, uma passagem no ferry 4 dias mais tarde, a partir de um pequeno pueblo de seu nome Puerto Raúl Marín Balmaceda, uns 300 kms mais a norte. Assim sendo, como ainda não pedalamos assim tão rápido e havía ainda por cima alguns sítios imperdíveis a visitar no caminho, saímos de Coyhaique apenas umas horas mais tarde e passámos os 3 dias seguintes numa espécie de missão de boleia miserável em estradas desertas, pedaladas furiosas e encontros improváveis. O nosso Quetzal sofreu a sua primeira ferida profunda de guerra numa batalha contra uma pick-up selvagem que atravessava um verdadeiro campo de combate. Uma rasgadela profunda no quadro de alumínio que. nos causa o primeiro grande desgosto da viagem. Felizmente não arriscou a sua vida em vão, conseguimos aproveitar uma tarde livre na praia oceânica de Raúl Marín, uma das mais bonitas destas paragens e do Mundo em geral, onde tomámos o banho de mar mais austral das nossas vidas com vista aos golfinhos e glaciares ao longe.

image

Praia de Raúl Marín.

As traseiras da praia de Raúl Marín Balmaceda.

As traseiras da praia de Raúl Marín Balmaceda.

Cais de Raúl Marín.

Cais de Raúl Marín.

Cerro Melimoyu.

Cerro Melimoyu.

 

Chiloé: Quellón – Quinchao – Quellón 

Se tivéssemos de descrever o que foi para nós Chiloé em poucas palavras, diríamos talvez: boa comida, pescadores, igrejas de madeira, estradas insuportáveis e ilhas bucólicas.

Chegados dia 7 de Fevereiro a Quellón e obrigados a repartir dia 12 de Fevereiro do mesmo porto, fizémos o que pudemos para comer todas as iguarias típicas famosas de Chiloé. Fomos à costa oeste, atravessando a ilha grande ao meio até Cuchao, fomos a Chonchi, a Castro e a Dalcahue, e ainda demos um saltinho à ilha de Quinchao, história de ir até à pontinha do outro lado onde vivia a Maya do meu livro da Isabel Allendr e de confirmar que as subidas e descidas de Chiloé não devem nada às Carretera Austral. Tudo isto sempre acompanhados pela Apo que tinha perdido a piloto do seu tandem.

Na praia de Cucao, do lado oeste de Chiloé.

Na praia de Cucao, do lado oeste de Chiloé.

Igreja de madeira típica de Chiloé.

Igreja de madeira típica de Chiloé.

Interior de igreja.

Interior de igreja.

P1060729

Mexilhões, mexilhões, mexilhões… em Chiloé (também) se comem mexilhões.

Mar e pasto.

Mar e pasto.

A igreja dos que andam no mar.

A igreja dos que andam no mar.

Barcos de pesca.

Barcos de pesca.

Igreja à beira-mar...

Igreja à beira-mar…

Ilhas e mais ilhas...

Ilhas e mais ilhas… e a cordilheira como pano de fundo.

Igrejas reconstruídas.

Igrejas reconstruídas.

Nasce a lua em Chiloé.

Nasce a lua em Chiloé.

Baía de Quellón.

Baía de Quellón ao Sol.

Novamente a camihô da Carretera.

Novamente a caminho da Carretera.

 

Chaitén – Río Puelo

Depois do inferno de turistas e carros da grande estrada asfaltada que liga o norte ao sul de Chiloé, o regresso à Carretera Austral soube-nos pela vida. Mais floresta tropical e glaciares, desta vez com vulcões à mistura.

Subindo ao volcão Chaitén

Subindo ao volcão Chaitén.

Exterior da cratera do vulcão Chaitén.

Exterior da cratera do vulcão Chaitén.

Glaciar de fim de tarde.

Glaciar de fim de tarde.

Mais um ferry, mais uma voltinha...

Mais um ferry, mais uma voltinha…

 

Passamos por Hornopirén e somos depois atacados por uma tempestade diluviana que nos obriga a temporizar o nosso avanço de durante quatro dias que passamos numa ilha privada dum milionário a comer que nem reis, o tempo necesário para confirmar que afinal o mundo não estava prestes a acabar e a estrada ainda existia ao nosso regresso.

P1060964Vidas improváveis.

Frutos de Quetri em Quetriuapi.

Frutos de Quetri em Quetriuapi.

 

Até Contao seguimos pela costa, atravessando aldeias de pescadores e praias bonitas, pedalando sobre uma das mais agradáveis estradas que encontrámos até agora, de tão plana que poderíamos quase crer que tudo não passava de um passeio de Domingo na praia da Barra.

Tal passeio não passou de uma ilusão, e voltámos à vida real até chegar a Río Puelo, algumas mil subidas e descidas mais tarde sobre um ripio que teve certamente em tempos coberto de minas e sob uma chuva torrencial inclemente que não nos deixou outra escolha que passar a noite na hospedaje da Elsita, onde tomámos um duche quente e secámos tudo, desde o guiador à ponta dos atacadores. 

Passeio de Domingo.

Passeio de Domingo.

 

Río Puelo – El Bolsón

Quando se olha para um mapa, rapidamente se percebe à primeira vista que quem quer ir da Carretera Austral até El Bolsón tem duas opções clássicas: passar para o lado argentino bem mais a sul, por Chile Chico ou Futaleufu, ou passar bem mais a norte, algures na zona de Villa Angostura. Quem olha mais obstinadamente para um mapa, repara em como seria mais conveniente poder atravessar directamente até El Bolsón através da cordilheira. Quando se faz um grande zoom num mapa, vê-se que sim, que há uns caminhos e até um passo fronteirço convenientemente autorizado. Sobre como são os caminhos desde a última «grande» aldeia do lado chileno, Río Puelo, e El Bolsón, ou Puelo, do lado Argentino, ninguém parece ter uma ideia muito concreta. Nem sequer em Chaitén, nem em Hornopirén é claro que também não em Río Puelo. Entre histórias, encontros fortuitos e conclusões obtidas a partir de análises estatísticas de comentários aleatórios, temos a ideia de que haverá ripio habilitado para viaturas até certo ponto, e depois só a pé, a cavalo ou, quiçá, em bicicleta. Partimos de Río Puelo ainda sob um céu cinzento e chuvosoque se foi abrindo pouco a pouco até o dia se transformar num pleno dia de Verão, quente e cheio de Sol. Ao fim de uns 14 km, chegamos ao primeiro ferry que, como é evidente, está atrasado. Lá nos deixam entrar sem pagar pela bicicleta, e saímos do outro lado do lago azul-turquesa mais os seis ou sete carros que cabiam na barcaça. Rapidamente percebemos que para estes lados já vem muito menos gente que antes. A paisagem muda progressivamente de verde tropical a verde alpino, os rios e lagos voltam a ser turquesa, e as subidas e descidas ganham inclincação. Ainda ao fim deste dia chegamos a Llanada Grande, que é na realidade bastante pequena, e percebemos que neste último verdadeiro ponto do mapa nem os carabineiros nos sabem dar informações precisas sobre como passar para a Argentina.

No dia seguinte continuamos a seguir o ripio que vai em direcção à Argentina, e passamos em Primero Corral e depois em Segundo Corral. Feios os nomes, bonitas as terras, a paisagem continuou a mudar e damos por nós num imenso vale aberto ao meio da cordilheira, com rios lindíssimos e montanhas fantásticas. A partir do Primero Corral já não há estrada para veículos motorizados, mas o Quetzal lá se safa, transformado em Quetzal TT (todo-o-terreno), até chegarmos ao primeiro riacho. lindo riacho sem ponte apta para bicicletas, lá transportamos sacola a sacola e por fim a a bicicleta, em braços até ao outro lado. A água estava fria e transparente, o Sol estava quente e forte. Passámos ao lado de uma fiesta costumbrista em preparação, mas já quase sem dinheiro chileno preferimos guardar o que resta para um hipotético barco. Passamos em terriório Mapuche e encontramos o primeiro barqueiro que faz a curta travessia até ao lado onde fica o posto fronteiriço dos carabineiros chilenos. Umas quantas horas mais tarde conseguimos finalmente os vistos de saída e compreendemos finalmente que para chegar ao lado argentino temos duas opções: fazer um caminho de cerca de 30 km a pé, não habilitado para veículos nem cavalos e, sobretudo, bicicletas tandem de 80 Kg; ou pagar ao único tipo quem tem autorização dos governos chileno e argentino para transitar do lago Inferior,  chileno, ao lago Puelo, argentino. Após vários encontros lá nos convencemos que quatro dias a empurrarem levantar a bicicleta mais todas as sacolas é capaz de não ser assim tão divertido, e negociamos com o tal do Gaillardo que nos leve com ele amanhã, mais barato que normal, porque já não temos planta suficiente. Por hoje, dormimos no embarcadoiro, à beira-lago, e esperamos que por aqui passe às 7h15 da manhã para nos levar até à Argentina.

P1070086

A caminho do Paso Puelo.

Río Puelo.

Río Puelo.

E lá tivemos de transportar a bicicleta ao ombro até ao outro lado do rio...

E lá tivemos de transportar a bicicleta ao ombro até ao outro lado do rio…

Território Mapuche.

Território Mapuche.

Travessia do Río Puelo.

Travessia do Río Puelo.

P1070120

Acampados entre fronteiras… que belo banho de lago.

E lá convencemos o Gaillardo a levar-nos para o outro lado por tuta e meia.

E lá convencemos o Gaillardo a levar-nos para o outro lado por tuta e meia.

 

Luzmilla – Franco y Jorge – Viktor – Claudio – Gaillardo

]]>
http://www.cycle2serendipity.com/es/2017/02/25/a-carretera-austral/feed/ 2